:Pesquisadoras brasileiras rifam iPhone para pagar viagem a congresso acadêmico nos EUA

Pesquisadoras brasileiras rifam iPhone para pagar viagem a congresso acadêmico nos EUA - Cornelio Digital.com - O Portal da Família
Segundo a doutoranda Cecilia de Menezes, que concorre ao prêmio de melhor trabalho em evento internacional no Arizona, a combinação entre dólar alto e falta de financiamento à pesquisa fez com que ela e outras três

Pesquisadoras brasileiras rifam iPhone para pagar viagem a congresso acadêmico nos EUA

A pesquisadora fluminense Cecilia de Menezes, de 32 anos, foi selecionada para apresentar sua pesquisa inédita sobre o armazenamento seguro de rejeitos radioativos em um congresso nos Estados Unidos no início de março. Seu trabalho concorre ao prêmio de melhor projeto inscrito no WM Symposia, que começa no mês que vem em Phoenix, no Arizona. Mas, sem dinheiro suficiente para pagar pelas passagens aéreas nem ajuda de custo das agências de fomento, ela e três colegas também selecionadas decidiram rifar um iPhone 7 novo para pagar pela viagem.

O sorteio do telefone será realizado no próximo sábado (16) e cada número da rifa custa R$ 25. Ao G1, a pesquisadora de Niterói (RJ) explicou que já vendeu cerca de 300 números, mas a ideia original, de vender 700 cotas para custear a viagem dela e de outras três pesquisadoras brasileiras, já foi parcialmente abandonada.

"Somos quatro brasileiras tentando ir. Duas delas já desistiram por conta do alto preço das passagens. Eu ainda não desisti", afirmou Cecilia de Menezes, que tem apenas 20 dias para conseguir os recursos e garantir a passagem.

As duas que acabaram desistindo são Ana Paula Tessaro e Natalie Rolindo. Elas já participaram do evento acadêmico em 2018 e, por isso, cederam sua parte da rifa para aumentar as chances de Cecilia e Naomi Watanabe, a quarta pesquisadora do grupo, conseguirem os cerca de R$ 6 mil de que cada uma precisa para a viagem, e poderem expor seu trabalho no evento internacional.

Para divulgar a rifa, elas criaram um folheto virtual com os números de WhatsApp nos quais organizam o pagamento em dinheiro, depósito ou pelo aplicativo picpay, no nome de ceciliamadeira. "Com R$ 25 você compra uma rifa, concorre a um iPhone 7 e ajuda no reconhecimento da ciência brasileira", escreveram elas (veja abaixo).

Sem verba para apresentar pesquisas em congresso internacional, pesquisadoras brasileiras decidem rifar iPhone para arrecadar dinheiro — Foto: Divulgação

Pesquisa para salvar vidas

Além de garantir uma vaga entre os melhores trabalhos inscritos no WM Symposia, a relevância do projeto de pesquisa de mestrado desenvolvido por Cecilia lhe abriu a oportunidade, ainda em estudo, de saltar direto para o doutorado do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo.

Com duas graduações – em relações internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e gestão ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) –, a pesquisadora decidiu unir as duas áreas para investigar e propor maneiras de, a longo prazo, garantir o armazenamento seguro de rejeitos radioativos não só no Brasil, mas em toda a América Latina.

Sem poder entrar em detalhes sobre sua pesquisa, que até o mês que vem se mantém inédita, ela explica que os rejeitos radioativos não são muito diferentes dos das barragens de rejeitos minerais em Mariana e Brumadinho. Mas, se o rompimento dessas duas barragens já foi capaz de provocar estragos ambientais e sociais até certo ponto irreversíveis, um acidente envolvendo material radioativo pode provocar uma devastação em escala ainda maior.

"Imagina se aquele rejeito mineral fosse todo rejeito radioativo? Iria ser catastrófico pra todo o país", explica ela, afirmando que, hoje, o continente latino-americano não tem um espaço seguro para depositar esse material.

 

Em 1987, tragédia com Césio 137 matou quatro pessoas e contaminou outras 249; até hoje, Brasil não tem repositório definitivo e seguro para armazenar esse e outros rejeitos radioativos — Foto: Reprodução/TV Globo

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Fonte:
Por: Redação
Data: 12/02/2019 12h55min


    

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